Nelcy Colares - Brazil
Portuguese
Aos 10 anos de idade tive meu primeiro contato com o álcool, bebendo escondido e reuniões e festas familiares. Minha família era muito festeira, o consumo do álcool era parte de todos os encontros. O ambiente era para mim era um grande facilitador.
Tudo era muito precoce para nós. E quando me refiro a nós, o faço em relação a mim, meus irmãos e primos, sejam os um pouco mais velhos, ou um pouco mais novos. Na maioria das vezes, como era de família abastada, ganhávamos nossos primeiros carros aos 14 ou 15 anos. “Anos 90 baby!”.
Precoce também foi meu contato com outras drogas, começando pelos inalantes, como lança-perfume e loló, por volta dos 14 anos e com a maconha aos 15 anos. Desde os inalantes, hoje vejo como eram claros os sinais de que eu era afetado pelas drogas de maneira diferente que a maioria dos meus amigos.
Quando experimentei a cocaína, já na primeira carreira, soube que aquela seria “a” droga para mim. Meu primeiro uso foi junto com um amigo, para ir a uma festa e no dia seguinte, eu já fui comprar mais. Sem nenhuma razão especial. A droga pela droga.
Aos 18 anos, muitas aventuras e desventuras, em uma colcha de retalhos de problemas em várias áreas da vida, já desesperançoso, a gravidez da minha namorada, hoje minha esposa há mais de 30 anos, me deu propósito, sentido, pelo que viver. Foi quando conheci através do Centro Nova Vida, que hoje é uma comunidade terapêutica, Narcóticos Anônimos, o primeiro recurso que me garantiu alguma sobriedade.
Depois de 02 anos tentando sem conseguir manter a sobriedade por longos períodos, conheci o Padre Haroldo Rahn em um seminário em minha cidade. Depois de conversar com ele, fui acolhido na Comunidade Terapêutica Fazenda do Senhor Jesus. Ali pude identificar na convivência com meus pares, coisas do meu comportamento e personalidade que eu nem sabia que tinha ou fazia. E já são 29 anos limpo e em recuperação contínua.
Tendo Deus como Farol, me indicando para onde devo ir. Narcóticos Anônimos como um símbolo da vitória, me fazendo valorizar o que recebi e recebo todos os dias. O que aprendi na comunidade terapêutica como raios do sol que me iluminam na alvorada e no crepúsculo para que eu não esqueça de quem sou e de onde vim, e, minha família como a rocha sobre a qual ergui meus valores e amores, e mantenho a salvo das turbulências minha nova maneira de viver, resolvi marcar isso na pele em forma de arte, como uma lembrança física constante, menos importante do que a que trago em minha consciência, porém sem dúvida, de um simbolismo que se mostra para mim a todo momento.
English
At the age of 10, I had my first contact with alcohol, drinking secretly at family meetings and parties. My family was very festive, and alcohol consumption was part of all our gatherings. The environment was a great facilitator for me.
Everything was very early for us. And when I refer to “us,” I mean myself, my brothers, and cousins, whether a little older or a little younger. Most of the time, as we came from a wealthy family, we got our first cars at 14 or 15 years old. “90s baby!”
My contact with other drugs was also early, starting with inhalants, like “lança-perfume” and “ loló ”, around the age of 14, and marijuana at 15. Looking back, I can see how clear the signs were that I was affected by drugs in a way that was different from most of my friends.
When I tried cocaine, after the first line, I knew that would be “the” drug for me. My first use was with a friend, to go to a party, and the next day, I went to buy more. No special reason. The drug for the drug.
At 18, after many adventures and misadventures, in a patchwork of problems in several areas of my life, already hopeless, my girlfriend’s pregnancy, now my wife of over 30 years, gave me purpose and reason to live. It was when I got to know Narcotics Anonymous, through the Nova Vida Center, which today is a therapeutic community, the first resource that guaranteed me some sobriety.
After 2 years trying and failing to maintain sobriety for long periods, I met Father Haroldo Rahn at a seminar in my city. After talking to him, I was welcomed into the Therapeutic Community Fazenda do Senhor Jesus. There, in living with my peers, I identified aspects of my behavior and personality that I didn’t even know I had or did. And I have now been clean for 29 years and in continuous recovery.
Having God as my beacon, showing me where to go. Narcotics Anonymous as a symbol of victory, helping me value what I have received and continue to receive every day. What I learned in the therapeutic community are rays of sun that light my path at dawn and dusk, so I never forget who I am and where I come from, and my family as the rock on which I built my values and loves, keeping my new way of living safe from turbulence. I decided to mark this on my skin in the form of art, as a constant physical reminder, less important than the one I carry in my consciousness, but undoubtedly a symbol that shows itself to me at all times.
Spanish
A los 10 años tuve mi primer contacto con el alcohol, bebiendo a escondidas en reuniones y fiestas familiares. Mi familia era muy festiva, y el consumo de alcohol era parte de todos los encuentros. Ese ambiente fue un gran facilitador para mí.
Todo fue muy precoz para nosotros. Y cuando digo “nosotros” me refiero a mí, a mis hermanos y primos, ya fueran un poco mayores o menores. Como éramos de familia acomodada, la mayoría de las veces recibíamos nuestros primeros autos a los 14 o 15 años. “¡Años 90, baby!”
Mi contacto con otras drogas también fue precoz, empezando por los inhalantes, como el “lança-perfume” y el “loló”, alrededor de los 14 años, y con la marihuana a los 15. Desde los inhalantes, hoy veo lo claros que eran los signos de que las drogas me afectaban de una manera distinta a la de la mayoría de mis amigos.
Cuando probé la cocaína, ya en la primera línea supe que esa sería la droga para mí. Mi primer uso fue con un amigo, para ir a una fiesta, y al día siguiente ya fui a comprar más. Sin ninguna razón especial. La droga por la droga.
A los 18 años, tras muchas aventuras y desventuras, ya desesperanzado, el embarazo de mi novia —hoy mi esposa desde hace más de 30 años— me dio un propósito, un sentido por el cual vivir. Fue entonces cuando conocí, a través del Centro Nova Vida (hoy una comunidad terapéutica), a Narcóticos Anónimos, el primer recurso que me garantizó algo de sobriedad.
Después de 2 años intentando sin lograr mantener la sobriedad por largos periodos, conocí al Padre Haroldo Rahn en un seminario en mi ciudad. Después de hablar con él, fui acogido en la Comunidad Terapéutica Fazenda do Senhor Jesus. Allí pude identificar, en la convivencia con mis pares, aspectos de mi comportamiento y personalidad que ni siquiera sabía que tenía.
Hoy llevo 29 años limpio y en recuperación continua.
Con Dios como mi Faro, que me muestra hacia dónde debo ir. Con Narcóticos Anónimos como símbolo de victoria, que me hace valorar lo que recibo cada día. Con lo aprendido en la comunidad terapéutica como rayos de sol que me iluminan en la aurora y en el crepúsculo, para no olvidar quién soy y de dónde vengo. Y con mi familia como la roca sobre la que construí mis valores y amores, resguardando mi nueva forma de vivir de las turbulencias.
Decidí marcar todo esto en mi piel, en forma de arte, como un recuerdo físico constante, menos importante que el que llevo en mi conciencia, pero sin duda con un simbolismo que se muestra para mí en todo momento.

