Adriana de Miguel Lorenzoni

Vista traseira de uma mulher olhando o nascer do sol com uma corrente quebrada / rear view of woman looking at sunrise with broken chain / Vista trasera de una mujer mirando el amanecer con una cadena rota

Portuguese

Sou uma dependente química em recuperação há dois anos. Passei por cinco tratamentos em comunidades terapêuticas. Perdi tudo ;o material, o familiar, perdi inclusive a mim mesma e o sentido da vida,que por vezes me pegou a pensar se realmente tinha Mas foi nesse deserto que encontrei a fonte. Hoje, posso afirmar com firmeza e com o coração cheio: a minha dependência se transformou na mais bela independência que eu poderia alcançar.

No começo, eu acreditava que minha luta era apenas contra as substâncias psicoativas. Mas a recuperação me escancarou algo muito maior: eu era dependente de afetos, de aceitação, de controle, de uma imagem social, de medos e expectativas que nem sempre eram minhas. Eu vivia presa em mil correntes invisíveis. Hoje, depois de muita dor, entrega e verdade, posso dizer que me libertei.

Essa imagem virtual representa minha recuperação e chama-se independência e libertação. Não apenas por me manter longe do uso, mas por ter aprendido a caminhar com minhas próprias pernas, com o coração desperto e a mente presente. Hoje, sou uma mulher livre. Livre para ser quem sou, sem precisar me anestesiar. Livre para olhar no espelho e reconhecer quem está ali. Livre para dizer "não", para colocar limites, para recomeçar quantas vezes forem necessárias.

Mesmo tendo sido professora, concursada, com uma estabilidade profissional que muitos sonham, percebo que foi a dependência paradoxalmente que me deu sentido. Ela me rasgou por dentro, mas também me reconfigurou. Me tornou humana. Ajudar pessoas hoje é mais nobre e mais significativo do que qualquer título que eu tenha carregado um dia. O gesto de estender a mão a alguém que sofre, que vive o mesmo desespero que um dia foi o meu, é um dos maiores privilégios da minha existência.

Ser independente é, para mim, manter-me em recuperação. Não como obrigação, mas como missão. É escolher, todos os dias, viver com consciência, com presença, com verdade. A dor que vivi me ensinou compaixão. O vazio que senti me ensinou a ter fé. A solidão que atravessei me ensinou a reconhecer o outro.

Hoje, cada passo que dou fora da dependência é um passo em direção a mim mesma. Sou independente. Emocionalmente, espiritualmente, mentalmente. Isso é libertador. Isso é vida.

E é essa vida que eu escolhi e escolho todos os dias.

Essa é a minha verdade.

Essa é a minha liberdade.

Essa sou eu.

Dependente química em recuperação há 2 anos.

Mulher independente por escolha, coragem e amor.

English

I am an addict in recovery for two years. I went through five treatments in therapeutic communities. I lost everything: material things, family, I even lost myself and the meaning of life, which sometimes made me think whether I really had any. But it was in this desert that I found the source. Today, I can firmly and with a full heart say: my dependency has transformed into the most beautiful independence I could ever achieve.

At the beginning, I believed my fight was only against psychoactive substances. But recovery revealed to me something much greater: I was dependent on affection, on acceptance, on control, on a social image, on fears, and expectations that were not always mine. I lived bound by invisible chains. Today, after much pain, surrender, and truth, I can say that I freed myself.

This virtual image represents my recovery, and it’s called independence and liberation. Not only for keeping me away from use, but for having learned to walk on my own legs, with an awakened heart and a present mind. Today, I am a free woman. Free to be who I am, without needing to numb myself. Free to look in the mirror and recognize who is there. Free to say "no," to set boundaries, to start over as many times as necessary.

Even though I was a teacher, a civil servant, with professional stability that many dream of, I realized that it was addiction, paradoxically, that gave me meaning. It tore me apart, but it also reconfigured me. It made me human. Helping others today is more noble and meaningful than any title I once held. The act of extending a hand to someone who suffers, who lives the same despair I once did, is one of the greatest privileges of my existence.

Being independent is, for me, staying in recovery. Not as an obligation, but as a mission. It is choosing, every day, to live with awareness, presence, and truth. The pain I lived through taught me compassion. The emptiness I felt taught me to have faith. The loneliness I went through taught me to recognize the other.

Today, each step I take away from dependency is a step towards myself. I am independent. Emotionally, spiritually, mentally. This is liberating. This is life.

And this is the life I chose and choose every day.

This is my truth.

This is my freedom.

This is who I am.

Chemical dependent in recovery for 2 years.

Independent woman by choice, courage, and love.

Spanish

Soy una dependiente química en recuperación desde hace dos años. Pasé por cinco tratamientos en comunidades terapéuticas. Lo perdí todo; lo material, lo familiar, incluso me perdí a mí misma y el sentido de la vida, que a veces me hacía preguntarme si realmente existía. Pero fue en ese desierto donde encontré la fuente. Hoy puedo afirmar con firmeza y con el corazón lleno: mi dependencia se transformó en la más hermosa independencia que podría haber alcanzado.

Al principio, creía que mi lucha era solo contra las sustancias psicoactivas. Pero la recuperación me reveló algo mucho mayor: yo era dependiente de afectos, de aceptación, de control, de una imagen social, de miedos y expectativas que ni siempre eran míos. Vivía atrapada en mil cadenas invisibles. Hoy, después de mucho dolor, entrega y verdad, puedo decir que me liberé.

Esta imagen virtual representa mi recuperación y se llama independencia y liberación. No solo por mantenerme lejos del consumo, sino por haber aprendido a caminar con mis propias piernas, con el corazón despierto y la mente presente. Hoy soy una mujer libre. Libre para ser quien soy, sin necesidad de anestesiarme. Libre para mirar al espejo y reconocer a quien está allí. Libre para decir "no", para poner límites, para recomenzar cuantas veces sea necesario.

Aun habiendo sido profesora, concursada, con una estabilidad profesional que muchos sueñan, percibo que fue la dependencia, paradójicamente, la que me dio sentido. Me desgarró por dentro, pero también me reconfiguró. Me volvió humana. Ayudar a las personas hoy es más noble y más significativo que cualquier título que haya cargado algún día. El gesto de tender la mano a alguien que sufre, que vive la misma desesperación que un día fue la mía, es uno de los mayores privilegios de mi existencia.

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