Pablo Kurlander – Brasil/Uruguay
Portuguese
Minha jornada de recuperação se iniciou há 30 anos, quando vim para o Brasil aos 18 anos, para uma Comunidade Terapêutica, depois de ter sido preso por tráfico de drogas no Uruguai (meu país de origem).
Graças ao apoio de minha família, essa situação de morte e fracasso se transformou no início de toda a minha nova vida.
Essa imagem é uma foto da minha filha Isabela quando tinha 4 anos (hoje tem 10). Parece muito uma imagem editada, mas foi assim mesmo que inesperadamente foi captada, quando a tirei durante uma viagem, ela dançando alegre num lugar muito iluminado. As luzes e o movimento captaram uma magia que me acompanha durante toda a minha jornada. A imagem tem sido, durante todos estes anos, a tela de fundo de meu celular e de WhatsApp, para sempre poder evocar essa sensação e essa magia, que é para mim a essência da minha recuperação.
Tenho 3 filhos, Isabela a menor, Gabriel (12) e Paula (24). Meus filhos são minha maior motivação, minha maior conquista e meu maior desafio. Ser pai, tentar ser o melhor pai possível, apesar das dificuldades da vida e das relações, foi e é meu farol nesta minha jornada. Olhar para meus filhos sempre me fez lutar com todas as minhas forças para não desistir quando a vida parecia injusta demais, quando as demais razões para viver pareciam se esvair, quando a fé na humanidade parecia não fazer mais sentido.
Ser pai também me fez entender todas as dificuldades e incertezas que meu próprio pai deve ter vivido, e assim também pude me reconciliar com sua memória e com nossas vivências, muitas incrivelmente boas, e outras que fazem parte da origem da minha dependência.
“Papai” é minha palavra favorita, é meu adjetivo favorito, é minha motivação maior, e é o tipo força que nada nem ninguém pode nunca tirar de você!
English
My recovery journey began 30 years ago, when I came to Brazil at the age of 18, to a Therapeutic Community, after having been imprisoned for drug trafficking in Uruguay (my country of origin).
Thanks to the support of my family, that situation of death and failure became the beginning of my entire new life.
This image is a photo of my daughter Isabela when she was 4 years old (she is now 10). It looks very much like an edited image, but that’s exactly how it was unexpectedly captured, taken during a trip, as she danced joyfully in a very bright place. The lights and movement captured a kind of magic that has stayed with me throughout my journey.
The image has been, for all these years, the background of my phone and WhatsApp, so I can always evoke that feeling and that magic, which for me is the essence of my recovery.
I have three children: Isabela, the youngest; Gabriel (12); and Paula (24). My children are my greatest motivation, my greatest achievement, and my greatest challenge. Being a father – trying to be the best father I can be, despite life’s difficulties and relationships – has been and continues to be my guiding light on this journey.
Looking at my children has always made me fight with all my strength not to give up when life seemed too unfair, when other reasons to live seemed to fade away, when faith in humanity no longer seemed to make sense.
Being a father also helped me understand all the difficulties and uncertainties my own father must have faced, and in doing so, I was able to reconcile with his memory and with our experiences – many incredibly good, and others that are part of the origin of my addiction.
“Daddy” is my favorite word, my favorite adjective, my greatest motivation, and the kind of strength that no one can ever take away from you!
Spanish
Mi jornada de recuperación comenzó hace 30 años, cuando vine a Brasil con 18 años, a una Comunidad Terapéutica, después de haber estado preso por tráfico de drogas en Uruguay, mi país de origen.
Gracias al apoyo de mi familia, aquella situación de muerte y fracaso se transformó en el inicio de toda una nueva vida.
Esta imagen es una foto de mi hija Isabela cuando tenía 4 años (hoy tiene 10). Parece una imagen editada, pero fue captada así, de forma inesperada, durante un viaje. Ella estaba bailando alegremente en un lugar muy iluminado. Las luces y el movimiento captaron una magia que me acompaña a lo largo de toda mi jornada.
La imagen ha sido, durante todos estos años, el fondo de pantalla de mi celular y de WhatsApp, para poder evocar siempre esa sensación y esa magia, que para mí representan la esencia de mi recuperación.
Tengo tres hijos: Isabela, la menor; Gabriel (12); y Paula (24). Mis hijos son mi mayor motivación, mi mayor logro y también mi mayor desafío. Ser padre, intentar ser el mejor padre posible a pesar de las dificultades de la vida y de las relaciones, fue y sigue siendo mi faro en este camino.
Ver a mis hijos siempre me dio fuerzas para luchar y no rendirme cuando la vida parecía demasiado injusta, cuando las demás razones para vivir se desvanecían, cuando la fe en la humanidad ya no tenía sentido.
Ser padre también me hizo comprender todas las dificultades e incertidumbres que seguramente vivió mi propio padre, y así pude reconciliarme con su memoria y con nuestras vivencias: muchas increíblemente buenas, y otras que forman parte del origen de mi adicción.
“Papá” es mi palabra favorita, mi adjetivo favorito, mi mayor motivación, y es ese tipo de fuerza que nadie ni nada te puede quitar jamás.

