Gaston – Brazil

Rosto através de uma parede de tijolos / Face through a brick wall / Cara a través de una pared de ladrillos

Portuguese

O ano era 1986, a idade 14 anos, a porta aberta pareceu apontar um caminho e uma resposta, mas na verdade era apenas dormência. Tudo foi muito rápido: na festa junina foi quentão, licor e maconha, no natal experimentei pasta base e no ano novo já cheirava cocaína, "tudo junto e misturado". No janeiro seguinte, desconfiados, meus pais me enviaram para São Paulo, naquele que foi meu primeiro de muitos episódios de fuga geográfica. Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pará, Amazonas, para onde quer que eu fosse, lá estava eu e minha nova habilidade de destruir a mim e aos outros.

Aos 18, a vida me apresentou o sanatório psiquiátrico de Barbacena, um lugar onde a dor da alma não podia ser contida pelos muros frios. Aos 19, uma prisão em Paraisópolis foi uma breve degustação da liberdade que se perdia e um acidente no Rio de Janeiro desfigurou meu rosto, revelando em cicatrizes externas, minha eterna ferida, insana e interna.

Em 2001, aos 29, “decidi começar a viver”. Deus lançou sobre mim um farol de esperança que me guiou por 7 anos e meio de sobriedade. A vida parecia reconstruída, mas em 2008, a escuridão retornou em uma recaída que durou um ano e meio.

Essa imagem representa um insight que tive em 2009, através do qual entendi que ao redor de mim militam duas realidades latentes. Uma me foi apresentada pela vida que é a do Transtorno por Uso de Substância. A outra, apresentada a mim, espiritualmente, por Deus, é a graciosa Jornada da Recuperação.

Na liberdade de escolha que Ele me devolveu, hoje eu escolho viver!

English

The year was 1986, I was 14 years old, and the open door seemed to point to a path and an answer, but in fact, it was just numbness. Everything happened very quickly: at the June festival, it was “quentão” (hot drink), liquor, and marijuana; at Christmas, I tried “pasta base”, and by New Year’s, I was already sniffing cocaine, “everything mixed together.” The following January, suspicious, my parents sent me to São Paulo, which was my first of many episodes of geographical escape. Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pará, Amazonas – wherever I went, there I was with my new ability to destroy myself and others.

At 18, life presented me with the psychiatric sanatorium of Barbacena, a place where the pain of the soul couldn’t be contained by cold walls. At 19, a prison in Paraisópolis was a brief taste of the freedom that was slipping away, and an accident in Rio de Janeiro disfigured my face, revealing in external scars, my eternal wound, insane and internal.

In 2001, at 29, I “decided to start living.” God cast a beacon of hope on me that guided me through 7 and a half years of sobriety. Life seemed to be rebuilt, but in 2008, darkness returned in a relapse that lasted a year and a half.

This image represents an insight I had in 2009, through which I understood that around me, there are two latent realities. One was presented to me by life, which is the Substance Use Disorder. The other, spiritually, was presented to me by God, which is the gracious Journey of Recovery.

In the freedom of choice He gave me, today I choose to live!

Spanish

El año era 1986, mi edad 14 años, la puerta abierta pareció señalar un camino y una respuesta, pero en realidad era solo adormecimiento. Todo fue muy rápido: en la fiesta junina fue quentão, licor y marihuana; en Navidad probé pasta base y en Año Nuevo ya inhalaba cocaína, “todo junto y mezclado”. En el enero siguiente, desconfiados, mis padres me enviaron a São Paulo, en aquel que fue mi primer episodio de muchos de fuga geográfica. Ceará, Minas Gerais, Río de Janeiro, Bahía, Pará, Amazonas, dondequiera que fuera, allí estaba yo y mi nueva habilidad de destruirme a mí y a los demás.

A los 18, la vida me presentó el sanatorio psiquiátrico de Barbacena, un lugar donde el dolor del alma no podía ser contenido por los muros fríos. A los 19, una prisión en Paraisópolis fue una breve degustación de la libertad que se perdía, y un accidente en Río de Janeiro desfiguró mi rostro, revelando en cicatrices externas mi eterna herida, insana e interna.

En 2001, a los 29, “decidí empezar a vivir”. Dios lanzó sobre mí un faro de esperanza que me guió por 7 años y medio de sobriedad. La vida parecía reconstruida, pero en 2008, la oscuridad regresó en una recaída que duró un año y medio.

Esta imagen representa una revelación que tuve en 2009, a través de la cual entendí que a mi alrededor conviven dos realidades latentes. Una me fue presentada por la vida, que es la del Trastorno por Uso de Sustancias. La otra, presentada a mí espiritualmente por Dios, es la graciosa Jornada de la Recuperación.

En la libertad de elección que Él me devolvió, ¡hoy elijo vivir!

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